História de Fordlândia

 
 

    Em 1876 , um botânico inglês erradicado em Santarém consegue contrabandear 70.000 mudas de “Haveas Brasilienses” para os Reais Jardins Botânicos de Londres, onde mais tarde foram transformadas geneticamente nas mudas plantadas na Asia e na Europa, acabando assim com a hegemonia Brasileira no comércio mundial de Látex que até então vivia uma época de ouro no Brasil.

     Começa aqui a formação de um cartel inglês de produtores de Látex que alguns anos depois já em plena produção manipulariam preços e condições ao mercado americano  representando uma pedra no sapato de Henry Ford, Firestone e outros produtores americanos que utilizavam cada vez mais borracha em seus processos de produção industrial.























 

Tudo começa em 1876

Casas operárias em 1931- Fordlândia

Henry Wichan ao lado de uma seringueira

Vista do complexo River-Rouge em Michigan

        Em 1914 , Henry Ford causa um abalo sísmico na industria americana estipulando o dia de 5 dólares por dia de 8 horas o que representava quase o dobro do padrão industrial da época elevando assim as condições sociais de seus empregados sendo acusado de trair sua classe. Ford consegue com isso arregimentar milhões de empregados e inicia seu grande modelo de idealismo americano - O Fordismo.


        Em pouco tempo Ford conseguia atribuir suas atividades que se dividiam em melhorar os processos de produção continuamente sempre amparado pela filosofia de que o homem deve ter ao seu redor tudo que lhe proporcione segurança , saúde e educação. A maior parte de seus empregados era composta por imigrantes da Polônia, Russia, Itália e dos impérios Húngaros e Otomanos que já estavam se desintegrando.


Ford criou um mecanismo de abundância do capitalismo para seus empregados, que facilitava o consumo por produtos que eles mesmos fabricavam, pagando altos salários de forma que se pudesse alcançar grandes mercados.


























Henry Ford em 1914.

       O anuncio do dia de 5 dólares e a popularidade do Modelo T, que cada vez mais ganhava o mercado consumidor por se tratar de veiculo de preço acessível, durável e familiar fizeram com Ford alcançasse uma imagem cultuada de filósofo.

Filósofo este que começaria a idealizar novos modelos de sociedade baseadas em linhas contraditórias como a crença transcendalista na possibilidade da perfeição do Homem, Ford era pacifista, sufragista e oponente a pena de morte.

Mas também era contra as tradições pois dizia ter inventado a era moderna, “queremos viver o presente, a única história que vale alguma coisa é aquela que fazemos hoje!” dizia Ford.

Por outro lado era nostálgico pelo mundo que ajudara a destruir com raizes no seu passado rural de propriedades agrícolas onde nasceu, salientava provérbios rudes como: “autoconfiança e individualismo rude”, atacando por fins os grandes centros urbanos e as cidades e suas estruturas de controle social como “Wall Street”e depois os Judeus em 1920.
























       Entre 1914 e 1920 foi um período de estonteante sucesso para Ford devido a prosperidade social que Ford pregava com o seu dia de 5 dólares. A empresa em pleno sucesso acabou por comprar todas as participações minoritárias sem dividendos para pagar e ainda Henry seguiu em  frente  no ano de 1917 com construção do maior complexo industrial da história, O River Rouge no distrito de Deaborn com 140 mil metros quadrados, noventa e três prédios, porto de aguas profundas, uma fundição que foi considerada a mior do mundo e capacidade de empregar mais de 100.000 funcionários.


      Em 1920, uma grande depressão abalaria as estruturas americanas e Ford voltaria e criticar ferozmente as “cidades e os bancos” . A queda de consumo foi feroz revelando a vulnerabilidade das sociedades urbanas e rurais que estavam sob um novo regime de capitalismo de consumo. Bancos e empresas fecharam, muitos desempregados amontoavam-se pelas ruas atrás de comida e abrigo.

Tudo foi para o abismo impensável e demorou 2 anos para começar esboçar uma reação. Ford tirou uma grande conclusão deste fato de que ali por diante ele dedicaria boa parte de sua vida e de sua riqueza à resolução do problema tanto na indústria como no campo, procurando harmonizar as duas. “Não podemos comer nem vestir nossas máquinas”disse Ford. “Se o mundo fosse uma vasta fábrica, ele morreria. Quando a questão é manutenção da vida, vamos aos campos. Com um pé na  agricultura e outra na industria a América estará segura”.


Começaria aqui o mais ousado e polêmico programa social de Ford

a “indústria na vila”no qual está inserido a idéia de Fordlândia mais a frente.


Uma nova jornada começaria para Henry Ford que até aqui já teria alcançado um sucesso inimaginável na área industrial, Ford esperava resolver o problema do excesso de trabalho rural transformando o campo e aplicando sistemas de beneficiamento de energia através de usinas hidroelétricas que liberariam as comunidades agrícolas dos altos preços cobrados pelos “ trustes da energia”.


Mas a mecanização da agricultura poderia empurrar os preços ainda mais para baixo levando a falência absoluta o campo em detrimento das grandes cidades então Ford tentava a todo custo encontrar saídas para industrialização de produtos agrícolas  para que fossem consumidos em maior escala nos grandes centros.


“Acredito que um dia o agricultor não irá cultivar somente matérias primas para a indústria, mas também irá fazer o processamento inicial em sua fazenda”. disse Ford.

cartaz dos modelos Ford em 1914

Fila de desempregados na grande depressão de 1920

Família americana na grande depressão de 1920